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terça-feira, 6 de julho de 2010

uma mão...

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...no parquinho da 416 norte.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

pitangas

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Ao lado do meu prédio, entre a minha entrada e o estacionamento, tem uma pitangueira que está sempre carregada. E parece que ninguém colhe, as frutinhas vão pro chão...
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sábado, 8 de maio de 2010

auto-retrato com ciclista

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Eu enquadrei e ele apareceu.
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

vermelho dourado

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Que bom que nem todos os blocos são de mármore e granito. Ainda.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010

última luz do dia

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Na minha quadra, 415 norte. Adoro essa hora... Adoro minha quadra e amo essa cidade. Já falei isso? Rssss...
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domingo, 14 de março de 2010

outra árvore torta...

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...e a nossa linda terra vermelha.
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terça-feira, 2 de março de 2010

sapateiro

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E, pelo jeito, também conserta fogões. Na comercial da 407 norte.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

passagens

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Dois lados da minha caminhada. Um ensolarado, outro subterrâneo.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

tempo

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No tempo tudo cabe
tudo muda de lugar
tudo some
não ficam parados no espaço
o gosto das frutas
e o cheiro dos homens.
O tempo dispensa a vontade alheia
impõe-se sobre a selva e a cidade
e destas nascem as folhas e os filhos
que o próprio tempo amadurece e faz saudade.
O tempo – enorme! – eleva os deuses
arrasta os homens
e espalha o mistério de uns
sobre a solidão dos outros.
De muito longe o tempo caminha
não como um velho
tão pouco uma criança:
unicamente caminha
- e sugere a esperança
e adormece as rugas.
O tempo não é o mesmo
sobre os aviões e os pássaros:
nas asas de um
é tudo muito rápido
nas asas do outro
é tudo muito livre.
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Nirton Venancio
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

essa eu fiz pra mim

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Mais um dos retratos do artista quando coisa. Na rua, na entrada de serviço do bloco E.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

essa eu fiz pra minha filha

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Auto-retrato com uma outra Luísa.
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sábado, 22 de agosto de 2009

tinha uma sombra no meio do caminho

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Nunca me canso desses acontecimentos na vida de minhas retinas tão fatigadas.
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sábado, 15 de agosto de 2009

tenho tudo quanto quero

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Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
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Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo -- que foi? passou -- de tantas estrelas cadentes.
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A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
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O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
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Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
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Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
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As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
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Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
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-- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
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Manuel Bandeira
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

chegou a seca, de novo

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A seca é o nosso outono.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

alquimias

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Ramificações

Luiz Martins da Silva
(para Sandra Fayad)
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Creio seguir mutações
De inspirações vegetais.
São alquimias transgênicas
De gerações digitais.

Pois estou ramificando
Brotos, cachos, flores, galhos;
E até humores fluindo
Das raízes até o orvalho.

Pois nem sei ainda a forma,
Se rasteira ou copadora,
Também não é certa a idéia
De espinho a causar dores.

Mas tento entender a origem,
Tamanha a metamorfose,
De humanizar-me em ramagens
Que me pulsam em novos gozos.

E para viver nesse mundo,
De pássaros por testemunha,
Desdobro em ramos meus dedos;
Enrolo em gavinhas as unhas.

Já ensaio as conivências,
(Segredos da Terra e do Céu)
Detalhes da nova imanência
Que aprende das abelhas o mel.

Mas porém se me antevejo
Com semblante de outro reino,
Saibam: o coração é o mesmo,
O sangue é que virou seiva.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

seu capricho, sua ilusão, sua miopia

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Verdade
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A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
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Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
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Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
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Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

a realidade é um fogo

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Dai-nos a arte e o corpo, Senhor,
que a realidade é um fogo
para um engolidor despreparado:
espinhos na cabeça sem coroa
e com um sangue não coagulado.
A arte, Senhor, é uma outra coisa,
imagens que vão para o outro lado.
Se acaso erram ali um conteúdo,
os sons mantêm aqui um tom dourado.
E o corpo, Senhor, até mais doura,
embora do seu tempo a brevidade.
Dai-nos o corpo e a arte, Senhor,
com seus sétimos dias de descanso
a quem passou a noite na verdade.
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Quase oração
Celso Gutfreind
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terça-feira, 21 de abril de 2009

passagem

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Na 110 norte.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

não sou mais assim

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Final de tarde, Conic, quinto andar, Brasília, centro. Pra quem queria saber como eu sou, vou logo avisando: já estou diferente.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009