terça-feira, 1 de dezembro de 2009

na padaria

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No tempo tudo cabe
tudo muda de lugar
tudo some
não ficam parados no espaço
o gosto das frutas
e o cheiro dos homens.
O tempo dispensa a vontade alheia
impõe-se sobre a selva e a cidade
e destas nascem as folhas e os filhos
que o próprio tempo amadurece e faz saudade.
O tempo -- enorme! -- eleva os deuses
arrasta os homens
e espalha o mistério de uns
sobre a solidão dos outros.
De muito longe o tempo caminha
não como um velho
tão pouco uma criança:
unicamente caminha
-- e sugere a esperança
e adormece as rugas.
O tempo não é o mesmo
sobre os aviões e os pássaros:
nas asas de um
é tudo muito rápido
nas asas do outro
é tudo muito livre.
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Nirton Venancio
(do livro Poesia provisória)

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* Recomendo uma visita ao blog do Nirton, seus poemas são belos... É só clicar na assinatura dele aí em cima.

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a arte do encontro

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A Arte do Encontro e Outras Artes é um bazar de muito bom gosto que acontece há vários anos na cidade. Música boa, comidinhas gostosas e principalmente trabalhos bonitos de muitos artistas. Vale a pena visitar. É nesta sexta, sábado e domingo na Q! 14, conj. 8, casa 16, Lago Norte. Abaixo, alguns produtos e o convite (clique para ampliar). As fotos são de Raimundo Sampaio.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

dia de encontrar palavras

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Luz e misericórdia. Será o clima de natal que já chegou?
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notícia ruim

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No domingo eu estava passando pela entrada da quadra quando vi este aviso na birosquinha do sapateiro Jair. Está internado em estado grave... Estamos torcendo por ele. Jair é uma figura fantástica. Fiz duas postagens com ele aqui no blog (a mais recente aqui) e o repórter especial do Correio Marcelo Abreu fez uma reportagem linda, vejam abaixo.
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O sapateiro filósofo

Marcelo Abreu

Na entrada de uma quadra residencial da Asa Norte, à sombra de uma mangueira, um homem miudinho conserta sapatos como se remendasse a vida. Entre um solado e outro, um dedo de cola, uma recauchutagem no tênis surrado, um cerzido novo na velha mochila, ele costura histórias e escreve frases nas “paredes” da sua banquinha. “Escrevo o que me vem à mente, o que me toca e acho que toca as pessoas também”, explica. Em letra de forma, num português que até pode contrariar a norma culta, arrepiar e remexer o pobre Camões no túmulo e torcer narizes de intelectuais rabugentos, ele rascunha: “A partir do momento em que as pessoas se conscientizarem que todos somos iguais, a paz reinará”. Com ou sem português casto, a mensagem foi entendida. Isso é o que de fato importa.

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As pessoas param. Admiram o trabalho daquele homem. Fotografam suas frases. Perguntam-lhe por que ele faz aquilo. Querem saber da sua história. Incentivam-no. O sapateiro Jair Lima da Silva, de 39 anos, mudou a cara da 415 Norte. Transformou-se, sem saber, em paisagem. Impossível não vê-lo. “Quem chegou aqui primeiro foi meu pai, em 1983, e plantou esta mangueira. Nem todos os blocos estavam construídos. Não tinha nem o ponto de táxi” lembra o filho do sapateiro, que igualmente sapateiro se tornou.

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Leia a reportagem completa aqui.

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dia de encontrar escadas

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Terça-feira foi dia de achar escadas interessantes na minha caminhada de final de tarde. Na 215 e 415 norte.
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a brasília de marcos andrade

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Marcos gosta de fotografar e de compartilhar seus passeios com os amigos em e-mails periódicos. Há poucos dias ele mandou as fotos e o texto abaixo. Mas eu resolvi acrescentar um título indignado:
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A PEDRA FUNDAMENTAL ESTÁ FECHADA!
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COMO ASSIM???
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"No Morro do Centenário, em 7 de setembro de 1922, o presidente Epitácio Pessoa fez assentar a pedra fundamental de Brasília, fica a dez quilômetros de Planaltina. Baseada no sonho de Dom Bosco, a pedra fundamental caracteriza o ponto central do Brasil, 'entre os paralelos 15 e 20 graus'.

Costumo ir à pedra fundamental com o meu amigo Haroldinho há quase vinte anos. É por lá que voamos com nossos pequenos planadores radiocontrolados, aproveitando o lift que se forma quando o vento que vem do Vale do Amanhecer encontra a encosta do morro.

Esse é um divertimento fantástico, já passamos muitas e muitas horas por lá fazendo voos silenciosos, curtindo o vento e a beleza do local. Nesses anos todos levamos muitos amigos até lá para conhecerem o lugar e para terem experiências no controle dos planadores.

Ontem, depois de muito tempo, estivemos mais uma vez por lá e ficamos muito decepcionados, encontramos uma cerca na estradinha que leva ao local de onde costumávamos decolar, está tudo fechado. Não podemos mais chegar até o ponto ideal, existe uma placa que diz ser proibida a entrada.

O Dado e o Rubens também estavam lá e viram de perto a péssima novidade. Fomos obrigados a ir para o Morro da Capelinha, que fica próximo, onde também é possível voar, mas sem a mesma segurança para voos e pousos que o morro da pedra oferece.

Além disso, o morro da capelinha é muito visitado por ser o local da tradicional encenação da Paixão de Cristo, festividade que faz parte da programação da Semana Santa e costuma reunir mais de 150 mil fiéis. Isso corta um pouco a onda, as pessoas ficam fazendo perguntas sobre os aviões, o que perturba e tira a paz necessária para se desfrutar um voo junto com os gaviões e urubus que frequentam a região.

Estou encaminhando algumas fotos de ontem. Mando também duas fotos da pedra fundamental que foram tiradas em outra ocasião."
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Marcos Andrade
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domingo, 22 de novembro de 2009

a brasília de rose may carneiro

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Rose May é cineasta, fotógrafa e professora universitária. Para ver mais fotos dela clique aqui.
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Série Eu Superexposta
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"A fotografia nada mais é do que uma impressão das minhas subjetividades. O excesso de luz deixou o rastro da cor. Balas soft, confete, nostálgico parque de diversão. Entre e brinque à vontade."
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Sobre a série abaixo, Rose May escreveu o seguinte:
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"Ontem à noite dei uma saída pela cidade alagada. Por causa da chuva, fotografei de dentro do carro ao som do Lou Reed. Eis as minhas 'road photographs'."
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sábado, 21 de novembro de 2009

a brasília de anamaria rossi

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Anamaria Rossi foi minha colega na UnB há vinte anos. Nós duas tivemos filhos quase ao mesmo tempo, no meio do curso. Ela, que não tinha família em Brasília, morou com o bebê no alojamento estudantil, impertubável. Nos reencontramos há pouco tempo, trocando comentários no Pictura Pixel. Corajosa e aventureira, em setembro ela “largou tudo” e se mandou pra Barcelona. Disse que não aguentava mais ser jornalista e foi estudar gastronomia...
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Ana está mesmo estudando, e viajando, e se divertindo. Mas o que eu achei engraçado foi que ela, assim meio distraidamente, começou a escrever um blog delicioso (Yo que sé?) e pouco depois já estava publicando as suas Cartas de Barcelona uma vez por semana no blog do Noblat, que é apenas o mais lido do país... Difícil largar esse negócio de ser jornalista, hein, Ana?
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Um pouquinho da Brasília de Anamaria segue abaixo.
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Ana escreveu: "Dei uma passeada pelo seu blog e já bateu aquela saudade de Brasília, desta Brasília que seus olhos captam com tanta ternura. Lembrei de algumas imagens que mais me farão muita falta na temporada na Espanha: os passeios domingueiros no Parque Olhos D'Água e os finais de tarde na janela do meu apê (digo que comprei uma vista, não uma casa!)."
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morar assim

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Eu não conseguiria morar numa cidade em que o verde não me cercasse de todos os lados. Esse aí não é o meu prédio não, mas fica perto. Aliás, eu já morei nesse prédio, há anos. Na 215 norte.
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o contrário da idéia de porta

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Uma não-porta.
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o vazio

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Tem no mínimo dois vazios aí. Ou mais, dependendo do ponto de vista. Uma imagem cheia de vazios.
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na vitrine

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Abandonada e nua.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

sinta-se em casa

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Não é o meu sofá, mas parece que é nosso... Está bem aqui na minha quadra, 415 norte.
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na moita

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Na moita no parque Olhos D'Água, fazendo fotos esquisitas e recebendo olhares estranhos dos transeuntes.
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um passeio

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No parque também.
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domingo, 8 de novembro de 2009

o fusquinha do seu zé

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Suspeito que ainda vou fotografá-lo muito, porque seu Zé é o zelador aqui do prédio.
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azul e amarelo

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...e minha filha carequinha. No Carneiros e Picanhas, 216 norte.
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vida selvagem

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Domingo, dez da manhã, eu e meu namorado na sala, ele no computador e eu cortando sucata na mesa. Foi quando escutamos um barulho alto: cráu cráu cráu cráu... Ele, que adora pássaros, correu pra janela e me chamou. Era um casal de gaviões numa das árvores em frente ao meu prédio, fazendo uma dança de acasalamento. Vida selvagem na capital.
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Essa cidade é engraçada. Um dia eu estava caminhando no final da asa sul, acho que na 115, e vi um gavião enorme em frente a uma janela do sexto andar, quase colado no vidro, batendo as asas de modo a ficar parado ali, olhando. Era enorme, com as asas abertas ocupava mais de um metro quadrado. Não sei o que ele estava vendo de tão interessante ali. Um ramster, talvez? Um periquito? Imagina que susto, entrar no quarto e ver aquela cena na sua janela?
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fruto e flor

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No parque Olhos D'Água.
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domingo, 6 de setembro de 2009

Dona Lourdinha

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Tirei férias deste blog para trabalhar em outro projeto até o final de setembro, mas não resisti e voltei só para postar uma foto e um pouquinho da história de dona Lourdinha. Moradora do Torto, 82 anos, pioneira de Brasília. Chegou aqui em 1959, com o marido e alguns filhos pequenos -- os primeiros dos seus dezessete filhos criados, entre os 24 que ela gerou.
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Montou uma venda no canteiro de obras da 109 sul e caminhava sozinha por aqueles ermos até o alojamento onde morava, na altura da 206 sul, tarde da noite, carregando numa sacola todo o dinheiro do dia. Não tinha medo não. Já andou de faca e de revólver. Cearense arretada, dirigiu muito caminhão pau-de-arara daqui pra Fortaleza e de Fortaleza pra cá.
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Do alto do seu metro e meio, quando moça fez um chicote de fios elétricos e deu uma surra numa "zinha" que o marido arrumou -- coisa inesperada para uma menina de família, educada em colégio de freira. "Depois disso ele passou a concordar com tudo que eu fazia", conta ela, com a voz doce e os olhinhos brilhando.
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Dona Lourdinha é um amor de pessoa e tem muita história para contar... Sou grata pelas horas que passei com ela. A foto acima é de Arthur Monteiro, para a revista do Sindjus.
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*Marcelo, lembrei muito de você...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

este blog está de férias!

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Voltamos no final de setembro.
Obrigada pela visita!
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sábado, 22 de agosto de 2009

tinha uma sombra no meio do caminho

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Nunca me canso desses acontecimentos na vida de minhas retinas tão fatigadas.
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mais texturas de brasília

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Essa combinação de concreto, céu e árvores, que a gente vê por todo lado...
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bloco Q

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Dois Qs e dois transeuntes. Na 415 norte.
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bloco D

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Continuando o abecedário de Brasília, bloco D da 416 norte.
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sente-se

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Comercial da 201 norte.
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sábado, 15 de agosto de 2009

tenho tudo quanto quero

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Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
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Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo -- que foi? passou -- de tantas estrelas cadentes.
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A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
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O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
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Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
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Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
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As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
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Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
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-- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
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Manuel Bandeira
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vermelho

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O fusquinha do seu José, de novo. Suspeito que ainda vou fotografá-lo muito...
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alguma coisa errada

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Este bloco fica na entrada da minha quadra. Sempre que passava por ali eu tinha a sensação de que alguma coisa estava errada. Demorei a descobrir o que era: o cimento. Calçaram toda a frente, tiraram toda a grama. Tem uns quinze metros de cimento entre o bloco e a rua. Não sei quando isso foi feito, mas sei que não deveria ter sido feito; esse espaço é reservado para o verde. Ainda bem que essa atitude é uma coisa rara; já pensou se a moda tivesse pegado, que horror não ficaria a cidade, sem os jardins? E o calor, com esse sol de agosto? E a secura? Credo...
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

jair


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Jair trabalha na entrada da minha quadra. Gosto da profissão dele: conserta sapatos, ajuda a diminuir o consumismo e o lixo... Faz tempo que eu fotografo essa barraquinha, mas não conhecia o dono. Quando mudei para cá, há um ano, as paredes e até o banco atrás ao lado estavam cheios de mensagens de amor para Vânia (veja aqui). Poucos meses depois elas amanheceram cobertas de tinta. Comentei com minha filha: Ih, acho que rolou um stress...
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Com ou sem stress, o fato é que ele aproveitou o momento para reformar a barraca, que está com toldo e pintura novos. E dessa vez usou todos os espaços para escrever mensagens de amor ao próximo, que ele faz questão que as pessoas leiam. Esta semana eu finalmente conheci o rapaz. Pedi para fotografá-lo, ele aceitou sem o menor problema e também sem estranhar: disse que muita gente fotografa sua barraca, "principalmente se for gringo".
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eu também acho

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Frase do Jair, em sua barraca (veja a postagem acima).
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sábado, 8 de agosto de 2009

pitangueira

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Carregadinha de pitangas. Nos fundos do meu prédio. Eu não disse que o meu prédio é lindo? Na frente tem um abacateiro que também está carregado, e derruba abacates maduros sobre os carros.
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texturas de brasília

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No meu prédio. Ele é lindo. É um prediozinho de três andares na 415 norte, mas garanto pra vocês que ele é lindo.
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sai desse troço!

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Antidedicatória


Há dias de perceber
Do quanto moídos fomos,
Apenas areia no ralo.

Há dias em que, de fato,
O que seria alimento
É só resíduo do prato.

Há dias sobrando pranto,
Esses em que o girassol
É só o sol sem encanto.

Há dias de noites,
Terríveis penumbras,
Atmosferas netunas.

Há dias de amargura,
Em que o maior brilho
É só o coração de luto.

Há dias sem espetáculo
E todo o circo vazio
É a sua vaia, palhaço.

Há dias em que o mar
É só uma lágrima distante,
Numa eternidade fria.

Há dias em que o sorriso
É só o eco de um vento
Vazio, opaco, sem folhas.

Há dias de se re-voltar
Contra toda a sem-poesia
Que nos mantém numa bolha.

Há dias de dizer: “Seu moço!
-- E de se ouvir no fundo, no fundo... --
Sai desse troço!”
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Luiz Martins da Silva
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pátria amada idolatrada

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Salve salve.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

chegou a seca, de novo

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A seca é o nosso outono.
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sábado, 1 de agosto de 2009

duas mulheres

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No Varjão.
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fotógrafo

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Arthur Monteiro, nosso fotógrafo na Revista do Sindjus, esperando a entrevistada chegar. Abaixo, arriscando-se a cair num sacolão de lixo, na Central de Reciclagem do Varjão. Foi engraçado, ele fez a foto das vinte e tantas recicladoras e várias delas também aproveitaram para fotografá-lo com seus celulares. O rapaz faz sucesso... Não cai aí não, Arthur, senão a galera te recicla!
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bike

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Incrementada, toda cheia de onda. Reparem no selim. Tem um design assim, meio... bom, deixa pra lá...
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aconchegante...

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...o boteco da Sabina, uma das moradoras mais antigas do Varjão.
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a brasília de hercília lopes

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A foto é minha, mas está aqui apenas fazendo figuração, para acompanhar a Brasília de Hercília Lopes neste belo poema:
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Brasília
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Meus passos compõem a música do inverno.
Triturando folhas secas me envolvo em melodias.
Então danço, canto, rodopio, crio ciclones de alegrias.
Saia em roda, roda de gigante; pernas de compasso são rodopiantes.
Via Láctea vermelha. Terra levantada.
Sou só eu neste Universo.Roda-viva, rodo a vida.
A cidade está em mim; horizonte em labaredas.
O barro arde e, teu céu, de branco, espera a primavera.
Amante nela, amada é. Plana. Cama de esperanças.
Chega! É tarde. Cega-me o seu sol com luz especial.
Cabe frear este meu delírio, pois já chego às raias da tontura.
Com cuidado, paro e piso.Volto a andar no belo chão.
Busco, agora, seus marrons diversos.
Para pintar minha fantasia no algodão...
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Hercília Lopes
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escapando da noite

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Estática
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Chego ao meu quarto escuro
Escapando da noite,
Em ânsia pela nudez
Do corpo e da alma
Arranco as roupas em fúria
Despertando estrelas
Fogos de artifício em
Festa da solidão.
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Hercília Lopes
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As fotos são minhas e o poema é de Hercília Lopes, a quem não conheço, mas que fez a gentileza de me enviar algumas poesias. Uma grata surpresa, elas são belíssimas. Obrigada, Hercília!
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terça-feira, 21 de julho de 2009

a brasília de sérgio moraes

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Outro dia fui (a trabalho) ao Clube do Servidor, no setor de clubes norte, para fotografar todo o lugar. Ele será reformado depois de doze anos de puro abandono. Ao chegar, as imagens me chocaram na mesma proporção que me deixaram maravilhado, pois lá estava eu diante de cenas incríveis, que só o tempo poderia construir. Te mando algumas que selecionei. Viva, viva Brasília e seus cantinhos tão especiais, cheios de luz, sombras e cores!
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Sérgio Moraes
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Por uma dessas coincidências da vida, Sérgio me mandou essas belíssimas fotos um dia após eu ter conhecido esse lugar. Eu estava justamente preparando uma reportagem sobre o Clube do Servidor, que será reformado e co-administrado pelo Sindjus, onde eu trabalho. Veja a história do clube aqui.
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Sérgio, além de fotógrafo, é poeta. Vejam o que ele escreveu sobre o inspirador cenário do clube em ruínas:
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Servo abandonado
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Abandonado ser
Silencio tórrido
Cerrandos olhos
Torrentes de amor
Chão rachado de saudades
Seco e sem mágoa
Quase fico ali pra sempre
Seduzido pelas beiradas
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Sou o servo e a dor da cidade
Estado calamitoso
Abandonado vou
Escrever maravilhas
Nos rolos e papiros
Mil Brasílias
Os protestos explodem
A cor do passado é vívida
A minha treva
Vive da luz
Meu pecado
É Capital
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

a brasília de isabela lyrio

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Estou em uma Brasília que desejei muitas vezes, onde estudei uma vez, que vivi fotografando e fotografo de novo.
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A Universidade de Brasília é um espaço onde os alunos que entram para se formar em uma profissão têm a possibilidade de viver intensamente o conhecimento, a experimentação. É para mim, um lugar mágico, rico, cheio de homens natureza, concreto conhecimento, sempre novo, instigante e contraditório.
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A UnB é viva.
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domingo, 19 de julho de 2009

a brasília de leo amaral

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Esta Brasília que Leo mandou está hiper clean, gráfica, geométrica. Muito linda. Mas ele tem várias outras brasílias, é claro... Para ver mais fotos de Leo Amaral, clique aqui.
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maverick

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Nome bonito, design idem. Esse é do meu tempo. Fazia sucesso quando eu era criança.
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mais planos amarelos...

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...e um transeunte de camisa amarela ao fundo. A fotografia é engraçada, tem dessas redundâncias. Quem anda por aí fotografando sabe disso.
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lagoa do sapo

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Parque Olhos D'Água.
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massagem

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Nunca entrei nessas barracas que oferecem massagem no parque. Mas acho tão instingantes...
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

quem ainda não viu precisa ver...

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...a nova pintura da Irgrejinha. Belíssima. A foto acima é de Rinaldo Morellli. O texto abaixo, publicado na revista do Sindjus deste mês, reúne alguns dados interessantes sobre a polêmica em torno do gosto dos fiéis e da arte de Galeno.
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A fé e as cores
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Usha Velasco
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Diz a sabedoria popular que gosto não se discute. Mas é o que boa parte dos brasilienses tem feito desde janeiro, quando o artista plástico Galeno começou a pintar o interior da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. Na boca dos frequentadores habituais do templo, a polêmica esquivou-se de questões maiores -- que passam por história, arte, linguagem e patrimônio -- e reduziu-se à simples oposição entre o “gostei” e o “não gostei”.
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Que alguns fiéis não gostem da pintura de Galeno é compreensível, embora lamentável. Lamentável pelos próprios argumentos que eles apresentam: a obra não “inspira piedade”, é “para clube, para salão de festa”, lembra uma “escola de samba”, “não tem nada a ver com a nossa religião”. Parece persistir aí um apego aos ícones cristãos que evocam sacrifício, dor e martírio, e um consequente repúdio à linguagem viva e colorida do artista. Triste, não? Será que a fé precisa ser incompatível com a alegria?
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Porém, que esses mesmos frequentadores queiram eliminar a nova pintura é não só lamentável como inaceitável. Eles esquecem que a Igrejinha é um patrimônio não só da vizinhança, mas de todos os brasilienses e de toda a humanidade -- tombada pela Unesco junto com Brasília. Esquecem, também, que a obra em cores vivas não é um capricho qualquer do artista: nasceu de um projeto de restauração cuidadosamente estudado. E esquecem, finalmente, que a pintura de Galeno foi encomendada para repor um tesouro roubado à Igrejinha: os painéis de Volpi, destruídos em 1962 por iniciativa do pároco e de algumas senhoras.
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Esses painéis -- que junto com a arquitetura de Niemeyer, os azulejos de Athos Bulcão e o paisagismo de Burle Marx compunham o tesouro modernista do templo -- foram completamente raspados da parede, impossibilitando o restauro. Galeno foi convidado para recompor a ambientação criada por Volpi, e, segundo o arquiteto responsável, obedeceu a todas as exigências do projeto de restauro: o mesmo fundo azul cobalto original; a mesma centralização de Nossa Senhora na parede frontal, ladeada por dois elementos simétricos; e os elementos relacionados à santa e às crianças de Fátima cobrindo os painéis laterais.
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Pacientemente, o artista mudou três vezes a imagem da santa, na tentativa de agradar a alguns fiéis que preferiam uma imagem figurativa à linguagem abstrata. Não adiantou. Parece que eles querem uma igreja tradicional -- e rejeitam, assim, a estética e a história da cidade.
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Opiniões e gostos à parte, quem ainda não viu a nova pintura precisa ver. Sentar-se num dos bancos da Igrejinha e deixar-se envolver pelo profundo azul cobalto de Volpi e de Galeno. Abrir espaço para a tolerância e quem sabe pegar carona na fé colorida do artista, nascido em 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, e por isso batizado de Francisco Galeno de Fátima.
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segunda-feira, 6 de julho de 2009

uma carta linda

Larissa, que hoje mora em São Paulo, encontrou a minha “outra Brasília” na internet e escreveu uma carta linda, que me deixou emocionada. Estou devendo para ela algumas fotos do bloco E da 216 norte há um bom tempo... O bloco é difícil de fotografar e meu perfeccionismo atrasou a postagem. Mas desisti de esperar pelo dia perfeito, a luz perfeita e a edição perfeita, e resolvi publicar logo.
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Larissa,
Prometo que em breve vou fotografar o descampado, e juro que vou tentar captar imagens dos "mortos", das sereias e dos cavalos imaginários!
Um grande abraço,
Usha
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(Gente, quem não teve a sorte de passar a infância em Brasília não pode deixar de ler o trecho da carta da Larissa, abaixo.)
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A entrada da quadra
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O bloco E da Larissa!
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Abaixo, o bloco que fica entre o E e o parquinho.
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O caminho entre a 416 e o eixinho.
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O mesmo caminho, do ângulo oposto (e numa outra tarde).
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Trilha entre a 216 e a 416.
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O porteiro do bloco J, a sombra dele e a minha...
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Subindo para o eixinho.
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Segue parte da carta:
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Eu estava procurando imagens de Brasília, mais precisamente das quadras norte, quando achei seu blog, depois de ter aceitado resignada e até feliz fotos de anúncios de apartamentos à venda para saciar (ou alimentar?) minha saudade... rs
Acordei super nostálgica, com muita saudade de Brasília, da maravilhosa fase em que morei aí.
Suas fotos são lindas, o blog é delicioso; Brasília sempre será meu grande amor.
Morei de 1986 à 1993 na 216 norte onde vivi uma das minhas melhores e mais divinas experiências na Terra, a infância, num grande parque verde, com o mas belo céu, com o lago norte próximo, com uma área verde bem grande fazendo limite da quadra com o lago, subindo em pés de ingá (passando as tardes com seus coroços adocicados e macios na boca) e de jamelão, com suas frutinhas deliciosas que deixavam a língua roxa. Ah, que saudade absurda! E sei que não é "só" saudade de infância.. é saudade de ter podido viver num lugar tão abençoado.
Hoje moro no interior de SP. Claro, a alma se acostuma, se habitua, graças à Deus, quem aguentaria se não fosse assim, não é? Mas nada, nada se compara à beleza e as cores e A ALMA de Brasília.
Vi que você fez uma foto de um mamoeiro na 216 norte! Você já foi lá no descampado (se é que ele existe), que faz limite com o lago? Lá, eu e meus amigos achávamos que tinham sido enterrados mortos e que se podia ouvir o canto da sereia, além de andar de cavalo imaginário por entre os pés de amora.
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(Larissa)
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

artista e aventureiro

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Piau é um artesão piauiense que veio para cá em 1996 e mora na Vila Basevi, em Sobradinho. Além de artesão, faz também bicos como ajudante de pedreiro, eletricista etc. Hoje comprei dele dois bonés, um da Boehmia e outra da Coca Cola. Ele mesmo faz, com latinhas, forrados de tecido, muito bem acabadinhos. Reparem no colar que ele está usando: é uma corrente de tampinhas de lata (os "selinhos"). Piau compartilha comigo duas paixões: fazer arte com sucata e viajar. Em 2004 ele percorreu, de bicicleta, mais de 4.000 km entre Buritis de Minas (MG) e Regeneração, no Piauí -- ida e volta. Fez isso sozinho e por conta própria, para realizar um velho sonho. Piau tem 49 anos de idade e, pelo jeito, também tem muita saúde, graças a Deus: várias vezes por ano ele pedala de Brasília até Buritis de Minas, ida e volta, o que deve dar uns 500 km.
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Quem quiser encomendar bonés pode ligar para Piau nos fones 9137-2188 e 9628-8434.
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a porta

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No Conic, no meio do meu caminho para o almoço de todos os dias.
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outros fuscas fofos

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O primeiro, apesar de lindo, estava estacionado na calçada da comercial da 201 norte, na maior cara de pau. O segundo é meu vizinho e já apareceu por aqui antes...
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mais um domingo no parque

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Acima, meu amorzinho passeando na mata e duas árvores no meio do caminho. Abaixo, eu na nascente, meu lugar favorito. Parque Olhos D'Água, quintal aqui de casa.

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viva são joão

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Decoração da tradicional festa junina do bloco M da SQN 415. Aqui nas 415 e 416 norte acontecem várias festas juninas, em vários blocos diferentes. É por isso, entre várias outras coisas, que eu amo essas duas quadras: a vida aqui tem todo um ar de cidade do interior. Ao fundo, o parque Olhos D'Água.
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a brasília de patrick grosner -- parte 2

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Esta é a segunda leva da sequência que Patrick Grosner mandou. A primeira leva está aqui. Todas essas doze foram feitas com celular. Gente, olha o que ele faz com um celular! Patrick, manda pra nós a marca, o modelo e o manual, vai...
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terça-feira, 23 de junho de 2009

Deus é amor, cor e alegria

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Em defesa da arte de Galeno nas obras de restauração da Igrejinha. Em defesa da arte em geral. Em defesa da alegria, da criatividade, da liberdade e da tolerância. Deus é amor, Deus é alegria, Deus é colorido! Estarei lá, com certeza. Sábado, dia 27 de junho, às 16 horas.
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Se você não sabe qual o motivo da manifestação, clique aqui.
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As fotos abaixo (murais de Galeno na Igrejinha) são de Jorge Diehl.
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

a brasília de patrícia molina

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Patrícia fotografou uma passagem na W3 norte na mesma semana em que eu vi e achei interessante... Mas não fiz, ela fez. Também mandou uma foto desfocada do lavador de carros; achei bem legal essa escolha. E, por último, uma foto de lixo, assunto que me interessa muito. Quem duvida pode conferir aqui. Obrigada, Paty!
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sábado, 20 de junho de 2009

a brasília de raimundo alves

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Coloridíssima, a Brasília de Raimundo Alves. Passeando pelo flickr dele, também vi que não sou só eu que gosto de fuscas e carros antigos... Confira aqui.
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